Home Convidados “Cantor brasileiro nem faz sucesso lá fora e blá blá blá…”

“Cantor brasileiro nem faz sucesso lá fora e blá blá blá…”

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Quem nunca ouviu a terrível exclamação “cantor brasileiro nem é conhecido lá fora!”? Pois é, eu ouvi essa sentença tenebrosa mais uma vez nesta semana em um jantar regado a vinho e rodeado de pessoas que eu esperava um pouco mais delas…

Só um ser humano “limitado de cultura”, como dizia minha querida professora de Literatura  no Ensino Médio, Marinêz, para pensar e dizer uma barbaridade dessas.
Para derrubar essa tese facilmente refutável podemos citar grandes nomes como Chico Buarque, os tropicalistas como Caetano Veloso, Tom Zé, Gilberto Gil e Maria Bethânia… vale citar também Seu Jorge, Céu, Ratos de Porão entre outros.

Ah, depois da abertura das Olimpíadas Rio 2016, novos nomes chamaram a atenção do público dos “states”. Meu amigo colombiano Luiz Nuñez assistiu à abertura dos jogos de um bar nos Estados Unidos. Ele me contou que quando a Anitta subiu ao palco para cantar ao lado de Caetano e Gil, os gringos ali presentes se perguntavam “QUEM É ELA???”.

Karol Conka e Mc Soffia são outras duas artistas brasileiras que afirmam ter ganhado novos fãs brasileiros e, claro, estrangeiros depois do show, também na abertura das Olimpíadas. Inclusive, meus amigos americanos, colombianos e espanhóis sempre estão ouvindo músicas das três brasileiras no Spotify.
A nova geração da música brasileira também está brilhando em outros continentes. Por isso, esta crônica. Foi preciso ouvir uma rádio americana para conhecer uma das vozes mais bonitas que já ouvi nos últimos tempos.

Era meio-dia na cidade de Seattle, Washignton, já em Goiânia, Brasil, eram 14h, quando ouvi pela primeira vez (que eu me lembre) a bela voz de Luísa Maita. A música era “Porão” do álbum “Fio da Memória” de 2016. COMO ASSIM NÃO A CONHECIA???
Corri para o salve Google a procura de Luísa. “Intenso”. Essa é a palavra que a jovem compositora descreve seu último álbum. “O que eu mais gosto é a intensidade dos arranjos, os contrastes. Às vezes uma música começa mais intimista e explode no final. Adoro a sonoridade. As guitarras fortes. E como o disco tem unidade sendo tão diverso e indo por diversos estilos”, diz a cantora.

Luísa é a prova de uma artista brasileira presente no exterior. Pra começar, eu a conheci tocando em uma rádio americana. Ao ler sua biografia, vemos mais argumentos capazes de provar isso.

Seu primeiro álbum, Lero-Lero de 2010, foi um marco na sua carreira, pois ele esteve presente nas principais listas de melhores discos do ano no Brasil. Nos EUA, alcançou o 1º lugar em vendas na Amazon e no iTunes, na categoria música latina, e o 2º lugar na categoria world music na Amazon.

Duas faixas do seu primeiro trabalho, “Desencabulada” e “Lero-Lero” fizeram parte da trilha do filme “Boyhood” do diretor Richard Linklater (2014) e indicado ao Oscar de melhor filme em 2015. Porém, o filme ganhou apenas uma estatueta, a de melhor atriz coadjuvante para Patricia Arquette. Lembra?

Em 2010, durante sua primeira turnê pelos EUA e Canada, Luísa foi chamada de “a Nova Voz do Brasil” pela rádio americana NPR. Um ano depois, a jovem foi premiada como Artista Revelação do Ano no renomado Prêmio da Música Brasileira e apresentou-se em importantes festivais de verão na Europa e em 26 cidades americanas.

Portanto, aí está mais um nome para ser citado por você, caro leitor, se algum “por fora” cheio da síndrome de vira-lata insistir em dizer que artistas brasileiros não são conhecidos em outros países, principalmente, nos Estados Unidos e Europa. Não se esqueça: Luísa Maita.

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