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O desconhecido mundo dos documentários musicais na Netflix

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Na semana em que o co-fundador da Netflix e atual CEO da MoviePass, Mitch Lowe, esteve na Campus Party 2017, em São Paulo, o Outro Indie reinaugura o site e eu faço minha primeira contribuição do ano. Aproveitando a ilustre presença de Lowe em terras tupiniquins, indicarei alguns documentários musicais presentes na plataforma.

Aviso de antemão, que aqui não há uma resenha de tudo que se encontra por lá. Fiz uma seleção dos principais e também citarei outros desconhecidos. Até mesmo, porque não assisti e, dificilmente, assistirei produções, por exemplo, de Kate Perry e dos Justins, o Bieber e o Timberlake.

Sei que grande parte dos assinantes da Netflix está super ocupada com várias maratonas com o propósito de terminar alguma temporada de sua(s) série(s)- e com toda razão. Mas, sinceramente, não vejo as pessoas falarem que assistiram a um bom documentário com tanto entusiasmo como vejo, diariamente, amigos e desconhecidos no ônibus e na fila do banco comentando suas séries atuais.
O menu da Netflix não é lá, ainda, aquelas coisas, porém, vemos neste mês uma sinalização de melhoria no seu acervo. No entanto, precisamos falar sobre o cardápio de documentários dedicados à música presentes no mundo Netflix.

Pra começo de conversa, temos um menu disponível com, aproximadamente, 50 títulos para se deliciar. E, claro, para todo o público. A plataforma pensou nos distintos grupos, porém, ainda muito focado em artistas internacionais, principalmente, americanos. Se estivermos a fim de assistir a um documentário de algum artista brasileiro, o desapontamento é certo.

Há o documentário “Mamonas para sempre” (2009), de Claúdio Khns, que está avaliado com quatro estrelas até o momento. O documentário conta a trajetória da banda brasileira Mamonas Assassinas, vítima de um acidente fatal aéreo em 1996. Outro documentário brasileiro focado em contar a trajetória de um grande cantor é “Gauby-começaria tudo outra vez” (2013) de Nelson Hoineff, avaliado apenas com três estrelas. Mais algum nacional? A Netflix fica nos devendo.

A música latina está fora da Netflix. Ela está presente apenas no documentário dirigido por Wim Wenders, no projeto do americano Ry Cooder. O guitarrista e produtor musical Ry Cooder tem sua história e música retratadas no prestigiado “Buena Vista Social Club” (1999). Cooder é conhecido por montar a famosa banda cubana que dá nome ao título do documentário indicado a edição 2000 ao Oscar.

No entanto, quando falamos de documentários internacionais que retratam a vida de alguma estrela da música, a escolha poderá ser complicada devido as variadas opções. Em 2015, três das maiores cantoras que já estiveram entre nós tiveram suas vidas retratadas em documentários de sucesso na Netflix: Nina Simone, Janis Joplin e Amy Winehouse. Todos avaliados com cinco estrelas- nota máxima de avaliação na plataforma.

Imagem Divulgação

Em “What happened, miss Simone?”, direção de Liz Garbus, vemos um belo copilato de vídeos e também de entrevistas da lendária cantora e ativista norte-americana, Nina Simone. Várias das suas principais canções estão presentes no documentário como, por exemplo, as animadas “Little Liza Jane” e “Sinnerman”- minha favorita, regravada em 2016 pela banda espanhola Belako. Além, de “Mississipe Goddam”, canção, cuja letra denuncia o preconceito racial no sul dos EUA, no qual Nina Simone lutou pelo fim, inclusive, ao lado de Martin Luther King.

Imagem Divulgação

Outra grande cantora americana que também apoiou a luta pelos direitos civis dos negros norte-americanos e que buscava por liberdade foi Janis Joplin. Em “Janis- little girl blue” (2015), vemos uma criança, jovem e mulher do Texas em busca de sua liberdade- tanto que ela se muda para a Califórnia em 1963.

Graças aos depoimentos de seus irmãos e amigos conhecemos outra Janis. Uma Janis triste, brigona e durona, porém uma super mulher que impôs o quanto pôde numa sociedade machista, misógina e racista. Em 1970, Janis foi encontrada morta aos 27 anos em um hotel em Los Angeles.

Amy Winehouse, assim como Janis Joplin, teve o mesmo fim, também aos 27 anos, em 2011. A jornada de sua curta vida está retratada em “Amy” (2015), dirigido por Asif Kapadia. “Ela era uma alma velha num corpo jovem”, disse seu amigo Nick Gatfield em um dos depoimentos. A “típica garota do norte de Londres”, como é chamada ao longo do documentário, é retratada a partir de filmagens caseiras de diferentes momentos de sua vida. Juntam-se aí também entrevistas concedidas por Amy e shows em diferentes lugares.

Desde 2013, a Netflix vem lançando produções originais atentos à concorrência de outras companhias de streaming como a Zulu e a Amazon Prime. Sua primeira produção foi a série “House of Cards”.

Dois anos depois do lançamento de sua primeira série, a Netfllix lançou “Keith Richards, under the influence”. Documentário de 1h22min avaliado com o máximo de estrelas. Nele vemos o dia a dia do lendário guitarrista inglês dos The Rolling Stones.

Imagem Divulgação

Outra produção Netflix é a série de documentários “HIP-HOP Evolution” (2016). Em 4 episódios de 50min cada, vemos a evolução desse gênero dos anos 70 aos 90, a partir de entrevistas com Mc’s, DJ’s, e produtores como Jay Z, Russell Simmons e Darryl “DMC”.

Os fãs de Nirvana e Kurt Cobain foram agraciados com dois documentários. Primeiramente, “All Apologies- Kurt Cobain” (2008) é um curta documentário de 58min. Com uma pegada bem sensacionalista, por dar ênfase ao vício e à depressão do cantor. Parece-me que por apenas tratar desse momento trágico de Cobain, o público não aprovou. O documentário recebeu apenas duas estrelas.

Já “Cobain: Montage of Heck” de 2015, vai além do primeiro. Em 2h12min, assistimos a trajetória do líder do Nirvana desde o difícil início de carreira a rápida fama e, claro, seu suicídio em 1994.
Para os amantes de música antiga, por exemplo, do século 20, a Netflix disponibilizou o documentário do cantor mais popular do século passado, Frank Sinatra. Em “Sinatra: All or Nothing at All” (2015), o cantor, que era o favorito de Amy Winehouse, tem sua vida retratada não apenas em um documentário, mas em uma série de documentários que lembram a vida e o talento do americano a partir de depoimentos de amigos, colegas e familiares.

Até agora, a companhia disponibilizou apenas a 1ª temporada com dois episódios de 1h20min cada. No entanto, não se ouve e lê nada sobre uma possível 2ª temporada dessa série. Já os fãs, em comentários na plataforma, fazem sugestões para os próximos episódios, por exemplo, como bem ressaltou um assinante “acho que foi pouco falado da relação dele com os mafiosos”. Fica aí a dica para o diretor Alex Gibney e para os assinantes da Netflix para o final de semana.

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