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Repleto de melancolia e ousadia, Lutre lança seu primeiro álbum

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Foto: Gabriel Santana e Clara Lodi/ Divulgação

Um conhecido que está morando atualmente na Espanha me enviou uma mensagem, nesta semana, pedindo para eu fazer uma lista com bandas de rock alternativas goianas e nacionais. Respondi que sim, claro.

Logo de cara, eu coloquei nessa lista bandas que estou ouvindo atualmente. A primeira banda a ser escrita foi a que eu ouvia no momento em que recebi o pedido. Há três semanas, eu ouço, diariamente, mais um lançamento goiano.

A vez é da Lutre. Esse é o nome do “power trio de rock alternativo de Goiânia”, como os integrantes preferem chamar. O trio, aliás, é formado pelos amigos Marcello Victor (vocal e guitarra), Jefferson Radi (bateria) e Chrisley Hernan (baixo).

No início de maio, o power trio lançou seu primeiro álbum de nome “Apego”. Tenho ouvido bastante a banda, claro, devido ao lançamento do primeiro trabalho dos goianos. Porém, tem outro motivo para ouvi-los, constantemente, nos últimos dias. A banda foi uma das atrações do Festival Bananada 2017.

Lutre se apresentou no segundo dia de Festival, em casa, no Cafofo Estúdio. No mesmo dia, se apresentaram outras duas bandas também da cidade, “Components” e “Manso”. Porém, Lutre foi a estrela que brilhou naquela terça-feira (9) quente do cerrado goiano. Tanto é que eu vi pessoas partindo depois do show dos caras.

A banda foi a primeira das três atrações da noite. O show foi, digamos assim, o lançamento do novo trabalho do trio. Das nove faixas de “Apego”, sete foram tocadas no segundo show da banda no Bananada. Lutre também se apresentou em 2016.

Lutre

Formada em 2015, a Lutre é um trio de rock alternativo de Goiânia, que já chama atenção de cara por compor em português, letras que fogem do convencional. Em janeiro de 2016, o trio lançou seu EP de estreia, gravado no Coruja Estúdio, que foi distribuído pelo selo Falante Records.

Além disso, já fizeram vários shows em festivais importantes de Goiânia como Festival Bananada (2016 e 2017) e Festival Vaca Amarela (Nas edições Rio de Janeiro e Goiânia) e também uma turnê no Estado do Rio de Janeiro.

Apego

O primeiro álbum da banda foi lançado em três de maio pelas mais diferentes plataformas de música on-demand como, Spotify, Soundcloud, Onerpm, Deezer, Bandcamp e Youtube. Ainda não há data para o lançamento do CD físico. Em entrevista ao Outro Indie, durante o Festival Bananada, Marcello Victor declarou que focará em publicidade para promover a banda, como confecção de camisetas.

Foto: Gabriel Santana e Clara Lodi/ Divulgação
Foto: Gabriel Santana e Clara Lodi/ Divulgação

“Apego” é um curto álbum. O CD é composto por nove músicas. Elas têm por volta de quatro minutos, porém a faixa responsável por abrir o álbum, “Céu”, é de quase sete minutos.

Não havia melhor música para nos apresentar “Apego” do que “Céu”. A introdução da música é convidativa e cheia de suspense. Não dá pra saber o que virá logo à frente, mas é tão gostoso de escutar que realmente nos prende. Logo, entra a bateria e, finalmente, a afetuosa voz de Marcello Victor.

Marcello sabe usar a potência vocal que tem. Ele sabe a hora de potencializá-la e de pacificá-la. Durante o álbum, o vocalista não só canta, mas também passa a sensação como se declamasse a letra. A faixa “Apego”, que dá nome ao álbum”, por exemplo, é literalmente um poema, já não mais declamado, mas sim cantado.

Isso se repete ao longo do álbum e é gostoso de ouvir, já que a produção de música hoje se acomodou com o processo de construção e esqueceu-se da ousadia. Lutre é ousada, por transitar em diferentes modos de compor a canção e, claro, o álbum. Se possível ouvir “Apego” com fones de ouvido, principalmente, a faixa “Salvador”, a experiência será bem agradável.

A banda, em suas redes sociais, se define pertencente ao gênero “rock triste”. Sim, “Apego” é um álbum melancólico. Em “Céu”, por exemplo, é possível sentir uma nostalgia, quando se fala de “girassol” e de “grama verde” enquanto lá fora há um céu cinzento e sem nenhum sinal de sol.

Portanto, as letras são as grandes responsáveis por despertar esse sentimento nostálgico e triste. As canções falam do passado, de momentos não vividos, da vida, medos e sobre sentimentos. “Mudo” é uma das canções em que sentimento é o núcleo. Nela, percebemos a potencialidade da voz de Marcello (em “Medo do Mundo” também), além, da canção lembrar a banda carioca, Ventre. A letra de “É assim” é outra canção que contribui para esse tom triste.

“Apego” foi produzido por Lutre e pela banda carioca Ventre, também atração do Bananada e responsável pelo um dos melhores shows da edição. O álbum foi gravado entre o Rio de Janeiro e Goiânia, tanto é que a mixagem foi feita pelo Noguchi Yukio (RJ) e pelo goiano Braz Torres.

Pegue seus fones de ouvido e vá vivenciar a experiência de ouvir mais este lançamento do rock goiano. “Apego” é um álbum virtual, disponível em diversas plataformas. Aqui, embaixo, é possível ouvi-lo pelo Spotify. Divirta-se!

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